terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O que é a psicopedagogia?

1. O que é a psicopedagogia?

A Psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades, tendo, portanto, um caráter preventivo e terapêutico. Preventivamente deve atuar não só no âmbito escolar, mas alcançar a família e a comunidade, esclarecendo sobre as diferentes etapas do desenvolvimento, para que possam compreender e entender suas características evitando assim cobranças de atitudes ou pensamentos que não são próprios da idade. Terapeuticamente a psicopedagogia deve identificar, analisar, planejar, intervir através das etapas de diagnóstico e tratamento.

2. Quem são os psicopedagogos?


São profissionais preparados para atender crianças ou adolescentes com problemas de aprendizagem, atuando na sua prevenção, diagnóstico e tratamento clínico ou institucional.

3. Onde atuam?

O psicopedagogo poderá atuar em escolas e empresas (psicopedagogia institucional), na clínica (psicopedagogia clínica).

4. Como se dá o trabalho na clínica?

O psicopedagogo, através do diagnóstico clínico, irá identificar as causas dos problemas de aprendizagem. Para isto, ele usará instrumentos tais como, provas operatórias (Piaget), provas projetivas (desenhos), EOCA, anamnese.
Na clínica, o psicopedagogo fará uma entrevista inicial com os pais ou responsáveis para conversar sobre horários, quantidades de sessões, honorários, a importância da freqüência e da presença e o que ocorrer, ou seja, fará o enquadramento. Neste momento não é recomendável falar sobre o histórico do sujeito, já que isto poderá contaminar o diagnóstico interferindo no olhar do psicopedagogo sobre o sujeito. O histórico do sujeito, desde seu nascimento, será relatado ao final das sessões numa entrevista chamada anamnese, com os pais ou responsáveis.

5. O diagnostico é composto de quantas sessões?

Entre 8 a 10 sessões, sendo duas sessões por semana, com duração de 50 minutos cada.

6. E depois do diagnóstico?

O diagnóstico poderá confirmar ou não as suspeitas do psicopedagogo. O profissional poderá identificar problemas de aprendizagem. Neste caso ele indicará um tratamento psicopedagógico, mas poderá também identificar outros problemas e aí ele poderá indicar um psicólogo, um fonoaudiólogo, um neurologista, ou outro profissional a depender do caso.

7. E o tratamento psicopedagógico?

O tratamento poderá ser feito com o próprio psicopedagogo que fez o diagnóstico, ou poderá ser feito com outro psicopedagogo.
Durante o tratamento são realizadas diversas atividades, com o objetivo de identificar a melhor forma de se aprender e o que poderá estar causando este bloqueio. Para isto, o psicopedagogo utilizará recursos como jogos, desenhos, brinquedos, brincadeiras, conto de histórias, computador e outras situações que forem oportunas. A criança, muitas vezes, não consegue falar sobre seus problemas e é através de desenhos, jogos, brinquedos que ela poderá revelar a causa de sua dificuldade. É através dos jogos que a criança adquire maturidade, aprende a ter limites, aprende a ganhar e perder, desenvolve o raciocínio, aprende a se concentrar, adquire maior atenção.
O psicopedagogo solicitará, algumas vezes, as tarefas escolares, observando cadernos, olhando a organização e os possíveis erros, ajudando-o a compreender estes erros.
Irá ajudar a criança ou adolescente, a encontrar a melhor forma de estudar para que ocorra a aprendizagem, organizando, assim, o seu modelo de aprendizagem.
O profissional poderá ir até a escola para conversar com o(a) professor(a), afinal é ela que tem um contato diário com o aluno e poderá dar muitas informações que possam ajudar no tratamento.
O psicopedagogo precisa estudar muito. E muitas vezes será necessário recorrer a outro profissional para conversar, trocar idéias, pedir opiniões, ou seja, fazer uma supervisão psicopedagógica.

8. Como se dá o trabalho na Instituição?

O psicopedagogo na instituição escolar poderá:

- ajudar os professores, auxiliando-os na melhor forma de elaborar um plano de aula para que os alunos possam entender melhor as aulas;
- ajudar na elaboração do projeto pedagógico;
- orientar os professores na melhor forma de ajudar, em sala de aula, aquele aluno com dificuldades de aprendizagem;
- realizar um diagnóstico institucional para averiguar possíveis problemas pedagógicos que possam estar prejudicando o processo ensino-aprendizagem;
- encaminhar o aluno para um profissional (psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo etc) a partir de avaliações psicopedagógicos;
- conversar com os pais para fornecer orientações;
- auxiliar a direção da escola para que os profissionais da instituição possam ter um bom relacionamento entre si;
- Conversar com a criança ou adolescente quando este precisar de orientação.

9. O que é fundamental na atuação psicopedagógica?

A escuta é fundamental para que se possa conhecer como e o que o sujeito aprende, e como diz Nádia Bossa, “perceber o interjogo entre o desejo de conhecer e o de ignorar”.
O psicopedagogo também deve estar preparado para lidar com possíveis reações frente a algumas tarefas, tais como: resistências, bloqueios, sentimentos, lapsos etc.
E não parar de buscar, de conhecer, de estudar, para compreender de forma mais completa estas crianças ou adolescentes já tão criticados por não corresponderem às expectativas dos pais e professores.

O que é Déficit de Atenção/Hiperatividade?

Trata-se de uma alteração do comportamento que impossibilita o indivíduo de permanecer quieto por um período de tempo necessário para executar determinadas atividades comuns diárias. Por conta do seu comportamento essas crianças e adolescentes são evitados e considerados inconvenientes.

O Déficit de Atenção/Hiperatividade é muito freqüente?

Estima-se que 10% das crianças na idade pré escolar e 4-5% na idade escolar apresentam Hiperatividade.

Como se percebe o Déficit de Atenção/Hiperatividade na escola?

- Não ficam paradas na sala de aulas
- Falam muito com os colegas
- Interrompem de maneira imprópria a professora
- Iniciativas descontroladas
- Tumultuam a classe com brincadeiras fora de hora
- Apresentam desempenho abaixo do esperado.

O desenvolvimento do hiperativo é normal?

A maioria dos pacientes hiperativos apresentam um desenvolvimento normal.

O paciente hiperativo tem nível de inteligência normal?

Sim, a maioria apresenta o nível de inteligência normal ou acima do normal.

Qual é o tratamento para o Déficit de Atenção/Hiperatividade?

O tratamento da Hiperatividade se faz com o uso de medicamentos estimulantes do sistema nervoso e associa-se a terapia psicológica.

Quando deve ser iniciado o tratamento?

Logo que se percebe o quadro deve-se procurar um especialista para orientação adequada e quanto mais precoce o tratamento for iniciado melhores serão os resultados, pois o comprometimento emocional será menos acentuado.



O portador de TDAH pode ter predominância de dificuldades nas áreas de Hiperatividade, Impulsividade, Distração.









1) Trata-se de um distúrbio recente ou um modismo diagnóstico?

O Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade foi descrito pela primeira vez, em 1902, e já recebeu diversas denominações ao longo de todos esses anos. As mais conhecidas foram: Síndrome da criança Hiperativa, lesão cerebral mínima, disfunção cerebral mínima, transtorno hipercinético.

Em 1994, o termo oficialmente adotado pela Associação Americana de Psiquiatria foi o de Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade, significando a barra inclinada que o problema pode ocorrer com ou sem o componente de hiperatividade, outrora considerado o sintoma mais importante e definidor do quadro.

2) Problema raro ou comum?

Os diversos estudos realizados têm demonstrado que esse transtorno ocorre em cerca de 3 a 7% das crianças, sendo aproximadamente 3 vezes mais freqüente em meninos que em meninas. Nas meninas prevalece o tipo clínico em que predomina a desatenção, sem evidência importante da hiperatividade. Na idade adulta, foi encontrado em 4% das pessoas.

O Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade é considerado o distúrbio infantil mais comum e é tido como a principal causa de fracasso escolar.

3) Não se trata de um problema restrito à infância?

Até a poucos anos achava-se que no final da adolescência os sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção iriam regredindo com ou sem tratamento, e que o adulto ficaria livre das características que apresentava quando criança.

Entretanto as pesquisas mais recentes provaram que o distúrbio tende a permanecer através da adolescência e continuar na idade adulta. A questão é que as características do distúrbio vão revelando aparências diferentes de acordo com as diversas faixas de idade. É fácil entender, por exemplo, que uma criança hiperativa corre de um lado para outro, está constantemente pulando, mais do que as outras crianças da mesma idade, mas o adolescente e o adulto hiperativos irão exteriorizar a mesma hiperatividade de forma diferente, mais de acordo com as suas respectivas idades.

4) Como conceituar o Transtorno do Déficit de Atenção?

O Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade é um distúrbio habitualmente de longa duração (freqüentemente se estendendo até a idade adulta, como acabamos de dizer) que se manifesta por três grupos de sintomas: desatenção, hiperatividade e impulsividade.

É evidente que esses sintomas são inespecíficos, podendo ser encontrados em uma grande variedade de outros transtornos, como também fazendo parte da vida psíquica normal, em alguns momentos.

Na verdade, a Hiperatividade não é simplesmente uma deficiência de atenção, como a denominação pode fazer pensar. Caracteriza-se também como um distúrbio do desenvolvimento adequado da inibição e da modulação das respostas, melhor dizendo, do autocontrole.

5) Se as características do Déficit de Atenção também existem nas pessoas normais, e se essas mesmas características também podem ocorrer em outros distúrbios, como identificá-lo então?

Em primeiro lugar, é necessário que os sinais de desatenção, hiperatividade e impulsividade sejam mais intensos que os apresentados pelas pessoas da mesma idade e que sejam persistentes. A pessoa deve apresentar essas características constantemente, como um padrão de comportamento delas. Quem convive com essas pessoas costumam dizer que elas sempre foram assim.

Em segundo lugar, é necessário para se falar em Déficit de Atenção que esses sintomas tenham aparecido desde a infância. Quer dizer, se alguém passou a apresentar essas características depois de adolescente ou adulto, não se trata de Déficit de Atenção, mas provavelmente de algum outro transtorno.

Além disso, é necessário que esses sintomas tenham uma intensidade e constância tal que existe já um comprometimento do seu funcionamento em mais de uma área de atuação, como casa, escola, trabalho, vida social, etc.

Por último, para se fazer o diagnóstico de Déficit de Atenção exige-se que sejam excluídas outras causas capazes de ocasionar essas características.

6) Como se apresenta uma criança com Hiperatividade?

Sinais de desatenção:

a) A criança tem pouca atenção, e com freqüência comete erros em trabalhos escolares e provas por puro descuido. Examinando a prova que ela mesma fez, a criança é capaz de apontar os próprios erros e até se aborrecer por ter cometido erros tão tolos. Ou a professora se espantar com os erros cometidos em matéria que a criança comprovadamente conhece.

b) Nas aulas é comum perder a atenção no que o professor está falando, e ficar pensando em coisas bem distantes das aulas. Costuma dizer que "voa" ou "viaja" nas aulas. Essa mesma perda constante de concentração é que dificulta a leitura de um livro recomendado pela escola. Com freqüência precisa voltar a ler do início da página pois é como se tivesse dado um branco no momento em que estava lendo um trecho.

c) Tem grande dificuldade de fazer os deveres de casa sozinha, porque se distrai a todo instante, interrompe, leva muito tempo, fazendo desses momentos verdadeiras batalhas entre mãe e filho.

d) Outras vezes quando está fazendo algo que é do seu interesse, como ver TV, jogar videogame, etc., é capaz de ficar tão concentrada que parece não escutar se é chamada. Isso quer dizer que a criança com Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade é capaz de ficar hiper-concentrada (se estiver interessada) ou então ficar desconcentrada (quando não tiver tanto interesse).

e) É facilmente distraída daquilo que está fazendo. Por exemplo, basta que alguém chame seu nome ou que ocorra um ruído diferente para se perca quase completamente da tarefa que estavam realizando, em especial se era uma leitura ou aula.

f) É em geral muito desorganizada com seus pertences e na maneira com tenta fazer as coisas. Por isso está freqüentemente perdendo objetos, como lápis, livros, etc.

g) Algumas crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com ou semHiperatividade têm grande dificuldade em dar a partida para realizar qualquer coisa, parecem lentas, sem energia. Já outras começam as coisas rapidamente, mas também logo abandonam o que começaram para fazer uma segunda atividade, que por sua vez dificilmente será completada.

h) Quando se pede a uma criança com Transtorno do Déficit de Atenção com ou semHiperatividade que efetue 2 ou 3 tarefas ao mesmo tempo, ou que transmita um recado, com maior freqüência haverá esquecimento das tarefas solicitadas.

Sinais de hiperatividade e impulsividade:

a) É muito ativa, inquieta, tem dificuldade de ficar sentada na sala de aula. Quando é forçada a ficar sentada, fica se revirando na cadeira o tempo todo.

b) Fala muito, é barulhenta, a ponto de perturbar a classe e ser freqüentemente advertida pelas professoras.

c) Não consegue esperar sua vez, seja em jogos, filas, etc. Fala quando não deve, interrompe as pessoas, responde sem ouvir a pergunta por inteiro. Muitas vezes revela falta de tato, dizendo coisas inadequadas, que saem de supetão.

d) Algumas têm pouca noção de perigo, por isso sobem em locais perigosos, se machucam com freqüência.

e) Costumam ser estabanadas, derrubando os objetos por onde passam.

f) Tem baixa tolerância à frustração. Insistentes, não suportam uma resposta negativa.

7) Como se apresenta um adolescente com Déficit de Atenção ?

As características do adolescente com Déficit de Atenção são semelhantes às das crianças com o mesmo problema, apenas com diferenças decorrentes do próprio amadurecimento, da faixa de vida. Vejamos apenas algumas particularidades:

a) Tem dificuldade de ficar concentrado nas aulas, em leituras, em especial se não for do seu interesse. Certamente que qualquer pessoa se não tiver interesse vai ter maior dificuldade de atenção, só que na pessoa com Hiperatividade isso é bem mais acentuado.

b) Tem dificuldade em completar tarefas. Alguns desses adolescentes iniciam várias atividades, mas completam poucas.

c) Habitualmente é desorganizado, esquece compromissos, trabalhos, ou então não sabe onde guardou chaves, óculos, livros, etc.

d) Costuma fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas dificilmente completa alguma.

e) É impaciente e inquieto, mas não tanto hiperativo como quando era criança.

f) Dirige motos ou carros de forma perigosa, expondo-se freqüentemente a acidentes.

g) Faz uso de álcool ou drogas. Em geral os adolescentes com Déficit de Atenção procuram as drogas porque se sentem passageiramente melhor sob o efeito delas, ou seja, a droga é uma forma de automedicação, embora inadequada.

8) E um adulto com Hiperatividade que outras particularidades apresenta?

Os traços são semelhantes aos da criança e do adolescente, com as modificações próprias da idade. Vejamos apenas algumas particularidades:

a) É desatento, desconcentrado, e facilmente distraído. Alguns desses adultos jamais conseguiram ler um livro inteiro. Outros até conseguem, mas só quando o assunto é de muito interesse.

b) É pouco persistente no que faz, tendo dificuldade em completar suas tarefas.

c) Seu estilo de vida é desorganizado, esquece de pagar contas em dia, sua mesa de trabalho é caótica, esquece compromissos. Sente-se confuso quando tem muitas coisas a fazer, não conseguindo estabelecer prioridades.

d) Atrasa-se com muita freqüência.

e) É inquieto, tem dificuldade em parar, e às vezes quando está em férias procura mais coisas para fazer.

f) Fala muito, monopoliza as conversas. Nem sempre é bom ouvinte.

g) Impaciente, toma decisões precipitadas, e muitas vezes se arrepende logo em seguida. Impulsivo também para dirigir. Muda freqüentemente de trabalho, relacionamentos ou residência.

h) É muito emotivo, tem freqüentes oscilações do humor, e se irrita com facilidade.

i) No trabalho tem um rendimento abaixo do que seria capaz.

9) O diagnóstico, como é feito?

O diagnóstico desse transtorno é clínico. Faz-se necessário colher uma história detalhada com uma ou mais pessoas significativas. No caso de crianças e adolescentes, as informações de pais e professores são inestimáveis. Em adultos, parentes próximos e cônjuges ajudam muito. As agendas de anotações escolares devem ser vistas, sempre que possível.

Uma história familiar deve apontar a existência de casos similares nos parentes próximos, muitas vezes em um dos pais.

Escalas de avaliação, com pontuação para os sintomas, são freqüentemente úteis para dirigir a investigação diagnóstica.

10) O que causa o Transtorno do Déficit de Atenção, ou seja, qual sua etiologia?

O fator hereditário é o mais importante. Múltiplos genes estariam envolvidos, o que justificaria a heterogeneidade do quadro clinico.

O córtex pré-frontal direito é ligeiramente menor nas pessoas afetadas. Do ponto de vista bioquímico, a hipótese predominante é de uma diminuição funcional da dopamina, e também da noradrenalina, nessas áreas.

11) Uma questão prática muito importante é que com muita freqüência ao Transtorno de Hiperatividade se associam outros transtornos (a isso se denomina comorbidade).

Uma característica marcante do Transtorno do Déficit de Atenção é sua alta taxa de comorbidade. Em crianças, calcula-se que mais da metade dos casos ocorrem acompanhados de outros transtornos. Em adultos, estima-se que esse índice seja ainda maior.

Na infância, as condições comórbidas mais comuns são: transtornos específicos do aprendizado, transtornos do comportamento, transtornos ansiosos, transtornos depressivos, e tiques.

Em adolescentes, além desses transtornos citados, surge o abuso de drogas.

Em adultos são também comuns os transtornos ansiosos, os transtornos depressivos, o abuso de drogas (incluindo o álcool e tranqüilizantes), transtornos do apetite e do sono.

Psicopedagogia no Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade











A Psicopedagogia é uma especialidade multidisciplinar que integra diversos conhecimentos nas áreas que envolvem a aprendizagem, como a Psicologia, Pedagogia, Neurologia, Fonoaudiologia, entre outras.

O acompanhamento Psicopedagógico tem como objetivo abordar o processo da aprendizagem, como esse se desenvolve e de que forma o indivíduo se relaciona com o aprender; nos aspectos cognitivos, emocionais e sociais.Quando são identificadas dificuldades neste processo, a Psicopedagogia busca as suas origens, os possíveis distúrbios; as habilidades e as limitações do ser que aprende.

A intervenção Psicopedagógica pode ser terapêutica, preventiva e de inclusão escolar.

A Avaliação Psicopedagógica é iniciada a partir da primeira entrevista com os pais, quando é conhecido o motivo da consulta, o desenvolvimento da criança e o histórico familiar.

As sessões são realizadas individualmente com a criança ou adolescente. Diante das necessidades são realizados testes e atividades específicas para avaliar o desenvolvimento cognitivo, psicomotor e emocional da criança. As atividades são voltadas para área da escrita, leitura, raciocínio matemático, motricidade, desenho e o lúdico (jogos com regras), assim como a análise do material escolar.

Diante da avaliação, o acompanhamento poderá ser de uma ou duas vezes por semana.

A avaliação Psicopedagógica tem um papel importante no diagnóstico de uma criança ou adolescente com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade). Elas apresentam dificuldades para manter a sua atenção de forma continuada enquanto realizam uma atividade, mesmo quando há interesse, se dispersam facilmente e desviam sua atenção para um outro estímulo. Quando há hiperatividade, o indivíduo parece incansável, mexe-se constantemente, mais do que necessário quando executa uma atividade; mesmo sentado, parece impaciente, manuseia objetos, balança pernas... Nota-se também, uma certa ansiedade para falar, costuma interromper conversas, brincadeiras e fala sem parar.

Os problemas de atenção, concentração, organização, hiperatividade, e impulsividade afetam o rendimento escolar e, conseqüentemente, a auto-estima da criança. Um diagnóstico realizado o quanto antes, pode evitar sintomas que são associados a este transtorno. O acompanhamento visa criar condições para que o paciente retenha a sua atenção e concentração durante suas atividades, assim como estímulo para organizar-se. No lúdico, observa-se limites, interação com o meio, raciocínio matemático entre outros.

Quando os pais chegam até a clínica Psicopedagógica, geralmente trazem no histórico da criança vários professores particulares, mudanças de escola, dificuldades de relacionamento e inclusive, um desgaste familiar.

Relatos comuns trazidos por pais e educadores de crianças e adolescentes com Déficit de Atenção e Hiperatividade;

  • "Parece que está sempre no mundo da lua"
  • "Não se importa com os seus resultados"
  • "Não tenta mudar"
  • "Não sei mais o que fazer"
  • "Larga tudo, é muito desorganizado e não cumpre com suas obrigações"
  • "Sei que ele é inteligente e consegue fazer as coisas, mas não faz"

Nas queixas as crianças são vistas como agitadas, desorganizadas, perdem objetos, materiais escolares, esquecem compromissos, têm dificuldades para concluir atividades que iniciam e em algumas situações, mostram-se inconvenientes diante do grupo em que se encontram. Mas ao mesmo tempo, são crianças "antenadas", inteligentes e muito afetuosas.

O trabalho Psicopedagógico também é realizado junto aos pais e à escola.

O suporte dirigido à família é recomendado, pois pode haver um desgaste entre os membros. O problema deve ser visto como familiar e não apenas de um indivíduo. A Psicopedagoga orientará o comportamento e atitudes da família que colaborarão com o tratamento da criança ou do adolescente com TDAH. É importante que haja equilíbrio na postura dos pais diante dos limites, regras e reconhecimento dos aspectos positivos que a criança apresenta. O auxílio nas atividades, na organização dos afazeres e pertences também contribuem para que a criança sinta segurança e confiança perante a família.

Quanto à escola, a Psicopedagoga atua junto aos coordenadores e professores com o objetivo de levantar dados na rotina escolar do aluno, como seu rendimento nas disciplinas, organização, interesse, comportamento em sala de aula e em outras atividades em que participa e também, o seu relacionamento com colegas e professores.

Outros aspectos devem ser considerados como a metodologia proposta pela escola e a sua disponibilidade em auxiliar o aluno com o TDAH no processo da aprendizagem, já que a Psicopedagoga poderá orientar o professor na sua atuação em sala de aula.

QUADRO DE AVALIAÇÃO

Como o Psicopedagogo atua na Escola, no Consultório, Psicoprofilaticamente, e Sistematicamente

Podem ser muitas as razões que determinam o sucesso ou o fracasso escolar de uma criança, como: fatores fisiológicos, fatores psicológicos, mais precisamente de mobilização, condições pedagógicas e principalmente o meio sócio-cultural em que vive a criança.

A práxis psicopedagógica é entendida como o conhecimento dos processos de aprendizagem nos seus aspectos cognitivos, emocionais e corporais. Pressupõe também a atuação tanto no processo normal do aprendizado como na percepção de dificuldades (diagnóstico) e na interferência no planejamento das instituições e no trabalho de re-educação (terapia psicopedagógica).

  • Vivenciar e construir projetos, buscando operar na prática clínica individual e grupal.

  • Desenvolver projetos institucionais, principalmente aqueles relacionados a escola.

  • Aprimorar a percepção de si mesmo e do outro, enquanto se individual, social e cultural e no seu papel de psicopedagogo.

Clínica

Diagnostica, orienta, atende em tratamento e investiga os problemas emergentes nos processos de aprendizagem. Esclarece os obstáculos que interferem para haver uma boa aprendizagem. Favorece o desenvolvimento de atitudes e processos de aprendizagem adequados.
Realiza o diagnóstico-psicopedagógico, com especial ênfase nas possibilidades e perturbações da aprendizagem; esclarecimento e orientação daqueles que o consultam; a orientação de pais e professores, a orientação vocacional operativa em todos os níveis educativos.
A psicopedagogia no campo clínico emprega como recurso principal a realização de entrevistas operativas dedicadas a expressão e a progressiva resolução da problemática individual e/ou grupal daqueles que a consultam.

Institucional

A Psicopedagogia vem atuando com muito sucesso nas diversas Instituições, sejam escolas, hospitais e empresas.
Seu papel é analisar e assinalar os fatores que favorecem, intervém ou prejudicam uma boa aprendizagem em uma instituição. Propõe e ajuda o desenvolvimento dos projetos favoráveis a mudanças, também psicoprofilaticamente.
A aprendizagem deve ser olhada como a atividade de indivíduos ou grupos humanos, que mediante a incorporação de informações e o desenvolvimento de experiências, promovem modificações estáveis na personalidade e na dinâmica grupal as quais revertem no manejo instrumental da realidade.

Na Argentina e na França (Pólos Culturais), este trabalho já vem sendo desenvolvido há anos, tendo o psicopedagogo papel indispensável nas equipes multidisciplinares destas instituições.
Ana Maria Muniz, Alícia Fernàndez e Sara Pain são grandes exemplos do quanto a psicopedagogia Institucional vem colaborando dentro destas Instituições.

A aprendizagem não só objetiva a criança ou adolescente, mas o adulto e profissionais na integração e reintegração grupal.

Inspirando-nos em Pichon, um dos que se preocupou com a questão "GRUPO", verificaremos a importância de se trabalhar estas instituições: "a aprendizagem é uma apropriação instrumental da realidade para transformar-se e transformá-la. Essa apropriação possibilita uma intervenção que gera mudanças em si, e no contexto que se dá. Caracteriza-se também, por ser uma adaptação ativa, constante na realidade. Implica, portanto, em estruturação, desestruturação e reestruturação. Isso gera tensão a qual necessita não apenas ser descarregada, mas revitalizada, renovada, enriquecida.

Partindo da Teoria do Vínculo de Pichon-Rivière, a investigação deveria se dar em três dimensões: individual, grupal, institucional ou sociedade, que nos permitiria três tipos de análise: Psicossocial - que parte do indivíduo para fora; Sociodinâmica - que analisa o grupo como estrutura; e Institucional - que toma todo um grupo, toda uma instituição ou todo um país como objeto de investigação.

O trabalho do psicopedagogo se dá numa situação de relação entre pessoas. Não é uma relação qualquer, mas um encontro entre educador e educando, em que o psicopedagogo precisa assumir sua função de educador, numa postura que se traduz em interesse pessoal e humano, que permite o desabrochar das energias criadoras, trazendo de dentro do educando capacidades e possibilidades muitas vezes desconhecidas dele mesmo e incentivando-o a procurar seu próprio caminho e a caminhar com seus próprios pés.

O objetivo do psicopedagogo é o de conduzir a criança ou adolescente, o adulto ou a Instituição a reinserir-se, reciclar-se numa escolaridade normal e saudável, de acordo com as possibilidades e interesses dela.

Psicoprofilático

Estuda e cria condições para uma melhor aprendizagem individual e grupal nas instituições educativas ou em situações de aprendizagem ( nível individual, grupal, institucional e comunitário ).
Compreende a investigação, o assessoramento e o planejamento do aprendizado; o assessoramento em equipes interdisciplinares referentes a educação e/ou à saúde mental, a difusão comunitária de temas de sua especialidade, aulas de cursos de capacitação; cursos de orientação a pais; treinamento de professores de todos os níveis.

Sistemática

Intervem na investigação e planejamento das aprendizagens, segundo níveis evolutivos ou as características psicológicas de quem aprende. Escolha e assessoramento de metodologias que ajustem a ação educativa nas bases psicológicas da aprendizagem.
Assessoramento institucional de projetos de aprendizagem.

INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO


Ao falarmos sobre os instrumentos de avaliação utilizados pelo psicopedagogo, entramos num dos mais polêmicos assuntos:

  • "Fazer ou não uso de instrumentos de avaliação?"

  • "Qual a necessidade e validade real dos mesmos?"

  • "Em que medida podemos nos basear em resultados de um instrumento de avaliação?"

  • "Quais considerações que devemos relevar acerca destas testagens?"

  • "Como fazermos a leitura deste material?"

Todo questionamento é válido, e por que não afirmarmos que é obrigatório na condição de psicopedagogos?

Cada linha de pensamento nos leva a fazer uso às vezes, de algum tipo de instrumento de avaliação. Como fazermos a leitura deste material, e uso do mesmo, será o grande desafio, será o momento onde estaremos nos confrontando com nossa percepção, nossa observação, nossa avaliação e, conclusivamente, diagnosticando alguém, alguém que, muito provavelmente acatará resultados, sejam eles favoráveis ou não, e que nos possibilitará trabalhar a defasagem correta do indivíduo.

A responsabilidade no uso de instrumentos de avaliação, sua escolha, o momento adequado a ser utilizado fazendo dele, instrumento de avaliação, parte e não o princípio, é o que levará ao sucesso de um diagnóstico .